A TRADIÇÃO CHINESA

  CAPITULO I : A   TRADIÇÃO   CHINESA

A  história da medicina chinesa começa em tempos pré-históricos com o mito: a lenda do Imperador Amarelo, Huang Ti, que reinava na região central da China ( Hoizey ; A History of Chinese Medicine) e o seu rival o Imperador do Fogo que comandava as terras ao sul da China. Conta a lenda que o Imperador do Fogo tinha o poder de, ao provar uma planta, determinar a natureza desta planta e também é creditado a ele o ensino do cultivo dos  cereais , de onde vem o seu titulo de fazendeiro divino, Shen Nung.

Shen Nung e Huang Ti são personagens lendários da Medicina Chinesa e ambos deram seus nomes a dois grandes clássicos : o Huang Ti Nei Ching ( O Clássico de Medicina Interna do Imperador Amarelo) e o Shen Nung Pen-Tsao Ching ( O Clássico da Medicina Herbácea ).

A   DINASTIA   ZHOU

A dinastia Zhou é dividida em: Western Zhou do XI  século A.C. ao ano 771 A.C. e a Eastern Zhou que vai de 770 A .C. a 221 A .C..( A Concise History of China , Bozan, Xunzheng e Hua). A dinastia Zhou, como muitas que a sucederam, estabeleceu-se por meio da conquista sobre a dinastia anterior os Shang ( 1523 a 1027 A.C. ) esta era foi considerada a idade clássica do bronze  na China ( Entendendo a Acupuntura, Birch e Felt).

 A familia Zhou conseguiu consolidar o seu poder sobre os Shang, dinastia anterior que reinou do século XVII A.C.. ao século XI  A. C., com ajuda de nobres dissidentes dos Shang. Esta conquista dos Zhou  teve suas raízes na falha da dinastia anterior em guardar seus territórios adequadamente e também na superioridade agrícola dos Zhou sobre os Shang.

[Continue lendo, clique no botão abaixo]

Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, especialista em acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy e Associação Brasileira de Ayurveda. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ e presidente da Associação Brasileira de Ayurveda.

 

 

 

A DINASTIA QIN

A   DINASTIA  QIN: O IMPERADOR SANGUINÁRIO

 

    A dinastia Zhou que reinou de 1027 a 221 A C foi substituída pela dinastia Qin que foi caracterizada pulo uso da força e da violência durante o período de 221 a 206 A C. No início o futuro imperador dos Qin, Shi Huang Di, conquistou vários estados, Han, Zhao, Wei, Chu, Yan, e Qi e promoveu a unificação da China pela primeira vez em sua história. O governante dos Qin, então, substituiu a elite feudal e apropriou-se de suas terras declarando-se imperador da China.

     O poeta Li Bai, do século VIII da nossa era, descreveu em um verso memorável as ações do primeiro Imperador que unificou a China em 221 A C:

 

        “ The Qin ruler`s reach extend to the six directions.

           A fierce overlord with the look of a tiger,

           With his brandished sword he cleaves asunder

                the floating clouds.

           Princes come one after the other to the west

           To bow before him…( Li Bai em Hoize e Hoize, 1993:34)

 

     O soberano fez profundas modificações na política do estado. Shi Huang Ti era guiado pela filosofia legalista cujo o objetivo era a aquisição de riqueza e poder. Nesta época o poder e o bem, a riqueza e a justiça eram equiparados. Birch e Felt afirmam:

 

“O antigo código de normas centralizado nos antepassados do período feudal foi irrevogavelmente substituído pelo único objetivo de quem ganha leva tudo.” (Birch e Felt, 2002: 14)

 

    Com o objetivo de consolidar o seu novo regime, Shi Huang Di, confiscou e destruiu  todas as armas do povo. Além disto baniu dos seus domínios nobres e ricos e ordenou que 120.000 famílias se mudassem para a nova capital Xianyan, acabando com a longa tradição da China de pequenas cidades auto-suficientes.

     Na sua ganância pelo poder, Shi Huang Ti, realizou em 213 A C a queima pública de toda a literatura, com exceção dos livros de medicina, farmacologia, oráculos, agricultura e silvicultura. Cerca de 460 eruditos foram queimados, vivos em grupo, como aviso aos outros. O primeiro imperador e seu sucessor foram verdadeiros ditadores que governaram a China com mão de ferro. Bozan, Xunzheng e Hua em “ A Concise History of China” afirmam:

“Eles forçaram 300.000 homens a construir a Grande Muralha e enviaram 500.000 para guarnecer Lingnan (Guangdong). Um adicional de 700.000 homens foram utilizados para construir palácios e um igual número para construir o mausoléu de Shi Huang Di e inumeráveis mais foram recrutados para construir estradas. Como resultado, os impostos e os trabalhos forçados tornaram-se tão onerosos que os camponeses não tinham tempo para cultivar os seus próprios campos e suas mulheres não tinham tempo para fiar e tecer. Foi literalmente impossível para os camponeses existir  sob este fardo. O inevitável aconteceu. Em 209 A C os camponeses liderados por Chen Sheng e Wu Guang levantaram-se em revolta. Armados apenas com enxadas e porretes eles destruíram o domínio da dinastia Qin.” ( Bozan, 1986:21)                        

     Um evento importante, durante a dinastia Qin, sugere a possibilidade de contato entre a China e a Índia antes da dinastia Han. Nas palavras de Svoboda e Lade:

“ Em algum ponto entre os séculos III ou IV A C, ocorreu um fato histórico importante que confirma sem sombra de dúvida que essas duas sociedades estiveram realmente em contato uma com a outra. Nessa época a Índia já possuía uma cultura literária altamente desenvolvida, que havia produzido montanhas de textos sobre tópicos como religião, astrologia e medicina. O preeminente texto ayurvédico Charaka Samhita já tinha muitos séculos de existência, enquanto o importantíssimo Clássico Interno do Imperador Amarelo só então era compilado na China. Durante este período começaram a circular na China relatos sobre o soma, planta psicotrópica associada a experiências místicas que ocupara lugar de destaque na religião indiana primitiva. No contexto indiano, sabe-se que o uso do soma desempenhou papel central no Rig Veda, uma escritura que apareceu antes do ano 1000 A C.”  ( Svoboda e Lade, 1995: 80)

  O imperador Shi Huang Di estava assustado com a ideia da morte. De acordo com o texto histórico Shi Ji, do primeiro século A C, ele buscou o elixir dos imortais e para isso ele enviou o Shaman  Su Fu para encontrar os imortais. No Shi Ji encontramos:

“Su Fu foi enviado junto com as filhas de Qin. Quem pode dizer quando seu barco retornara…” ( Hoizey e Hoizey, 1993:36)

    O primeiro imperador estava obcecado com a idéia da imortalidade, e  enviou Su fu para encontrar o soma,  planta sagrada dos Vedas Hindus, que teria propriedades mágicas. No seu trabalho “Tao e Dharma, Chinese Medicine and Ayurveda” Svoboda e Lade afirmam:

“Divulgou-se na China que o soma tinha o poder de conferir imortalidade, e os relatos persistentes e sedutores acabaram levando o imperador Qin Shi (que reinou entre 221 e 207 A C), primeiro soberano de uma China unificada, a ordenar a procura desta planta maravilhosa. No final, o próprio imperador foi as montanhas ocidentais em uma busca infrutífera. Apesar desta fracasso, o imperador se recusou a desistir, e aparentemente deu permissão e apoio a um homem peculiar chamado Su Fu, que foi enviado numa viagem marítima com um grande contingente de crianças consagradas e a missão de voltar com a substância divina A primeira jornada não obteve sucesso, mas Su Fu retornou a China, foi reequipado e enviado novamente, porém nada mais se sabe a respeito dessa segunda missão” (Svoboda e Lade, 1995: 80)

                 O período curto da dinastia Qin (221 a 206 A C), formulou importantes modificações na estrutura sócio-econômica da China como a padronização da moeda, pesos e medidas, da escrita chinesa e imposição aos súditos da construção de um sistema de transportes. Inadvertidamente o ditador Shi Huang Di deixou um legado que permitiu  o desenvolvimento de um dos períodos mais reverenciados da história da China: A Dinastia Han, uma dinastia de mais de 400 anos com uma importância histórica fundamental para a nossa pesquisa pois foi quando surgiram os principais trabalhos da medicina de correspondência sistemática e da acupuntura.

A DINASTIA HAN: OS PRIMEIROS TEXTOS DE ACUPUNTURA

A dinastia Han teve início em 206 A C após a derrubada dos Qin pelos camponeses e prolongou-se até 220 da nossa era. O fundador da dinastia Han, Gao Zu, não esqueceu a sua origem humilde ao formar um governo considerado um dos mais responsáveis da história chinesa; ele moderou a severidade do governo dos Qin, diminuiu os impostos e atenuou o controle feito pelo governo sem deixar de manter sua organização.

Os chineses apontam esta era como sendo um período de extrema realização cultural digna de exaltação. Durante este período, a cultura chinesa, incluindo a medicina cresceram com uma velocidade espantosa, foram os quatro séculos de maior importância para a Medicina Chinesa. Birch e Felt no interessante trabalho “Entendendo a Acupuntura” colocam as principais razões que levaram a este período de mudanças:

“A forma de governo severa dos Qin fizera desaparecer as instituições e as forças sociais que poderiam se opor as mudanças, purificando e tornando o solo fértil para a germinação e frutificação das inovações, para as explorações e invenções. Não foram somente as barreiras culturais que foram eliminadas: a sociedade e a economia chinesas estavam geofisicamente mais acessíveis entre si. Estradas e canais ligavam antigas cidades amplamente autônomas e todas as classes da sociedade beneficiadas pela riqueza crescente que tinha origem no comércio e pela independência econômica estabelecida. Por muito pouco a corte e os ricos conseguiam obter mercadorias estrangeiras. Os lordes feudais não mais controlavam a vida social e religiosa e surgiu uma classe educada que sobrevivia independente  da riqueza ou de patronatos.”(Birch e Felt, 2002: 15)

 

Um possível impulso para este crescimento cultural teria sido o contato com regiões     ao ocidente da China. O intercâmbio de idéias e teorias poderia ter impulsionado o desenvolvimento da Medicina Chinesa. Sabemos que foi durante a dinastia Han que o budismo foi introduzido na China proveniente da Índia junto com o budismo vieram teorias da Medicina praticada na Índia naquela época.

No período do reinado do imperador Wu Di durante a chamada “Western Han Dynasty” ( 206 A C a 24 D C) a China estava em guerra contra reinos do nordeste comandados por Xuong Nu. Em 138 A C o imperador Wu Di enviou Zhang Qian para regiões ao ocidente que descobriu muitos países  ricos no distante ocidente. Bozan, Xunzheng e Hua afirmam:

“ A história começa com a tomada por Xuong Nu de vários pequenos estados nas regiões ocidentais. Em 138 A C Wu Di  enviou Zhang Qian ( ?-114 A C) para estas regiões. Zhang Qian descobriu que haviam muitos países prósperos e ricos no distante ocidente. Em 121 A C as tropas de “Western Han” abriram a rota através do corredor de Ganzu para as regiões ocidentais. Mais tarde com a cooperação do povo de Wu Sun, as tropas chinesas… conquistaram vários estados nas regiões ocidentais…Deste momento em diante comerciantes da China e Ásia central enviaram mercadorias chinesas, particularmente seda, para o ocidente distante:…Pérsia, Índia  e cidades do Império Romano. Destes paises eles traziam produtos para os governantes e pessoas da região central…” (Bozan, 86:25)

 

     Esta afirmação é ratificada por Svoboda e Lade:

“Historicamente a era da dinastia Han foi um período em que a atenção dos chineses se voltou para o exterior. Por volta de 138 A C, a Estrada da Seda para oeste e a Estrada da Birmânia (115 A C) para o sul havia aberto o comércio e o intercâmbio de idéias e tecnologias com terras estrangeiras. Na fronteira ocidental da China, além das montanhas Kun Lun, um ramo da Estrada da Seda rumava ao sul e conduzia a Índia. A China também embarcou em grandes navegações exploratórias para abrir rotas marítimas ao sul e ao leste. Ao final do século II A C, barcos da China Imperial haviam alcançado costas distantes do Oceano Índico, sendo referido como o litoral do atual Sri Lanka, na época em que a civilização e a religião indianas estavam se espalhando rapidamente.” ( Svoboda e Lade, 1995: 82)

A dinastia Han foi o período em que a medicina de correspondência sistemática atingiu a sua maioridade. Durante este período de quatro séculos, de II AC a II DC, foram escritos os principais trabalhos da Medicina Chinesa que iriam, sem sombra de dúvidas, influenciar o pensamento médico na China pelos próximos 2000 anos. Sobre este período de desenvolvimento do pensamento médico na China Birch e Felt colocam:

“ Não permanece claro como todos os aspectos da medicina de correspondência sistemática surgiram, também, não se deve deduzir pela nossa apresentação cronológica que este processo tenha ocorrido de forma equilibrada e ordenada. Por exemplo, enquanto o crédito da origem do conceito dos cinco elementos é dado a Zou Yan ( 350 a 270 A C), a concepção grega dos quatro elementos e a série indiana dos cinco elementos são produtos do ano 600 A C aproximadamente, e poderiam ser com justiça, os precursores da teoria chinesa dos cinco elementos.” (Birch e Felt, 2002: 16)

Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, especialista em acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy e Associação Brasileira de Ayurveda. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ e presidente da Associação Brasileira de Ayurveda.

MA WANG DUI: O TEXTO MAIS ANTIGO SOBRE A MEDICINA CHINESA

     Em 1973 vários textos médicos foram encontrados nos túmulos de Ma Wang Dui de 168 A C ao sul da China no estado de Hunan, na capital Changsha, onde hoje encontra-se atualmente o Museu Provincial de Hunan. Estes antigos textos do século II A C, são anteriores ao Shih-chi de Ssu ma Ch`ien  e ao Huang Ti Nei Ching. Nas palavras de Unschuld:

“ Os textos de Ma Wang Dui são impressionantes devido ao amplo número de conceitos e técnicas registradas e recomendadas, incluindo: moxa-cauterização, feitiços orais, rituais mágicos, ginásticas, práticas sexuais, drogas, massagem, ventosas, banhos e fumigações baseados no paradigma da magia e correspondência sistemática, assim como conceitos demonológicos, presumivelmente, de experiências diretas. O uso de pedras pontudas é recomendado várias vezes para abrir abscessos e uma vez para aplicar pressão quente em hemorróidas. Moxabustão, isto é, a queima da planta Artemísia Vulgaris, sobre a pele é o único estímulo recomendado para estimular o conteúdo dos onze vasos. Nenhum ponto específico é sugerido para a aplicação deste tratamento…” (Unschuld, 1985: 93)

 

Um fato notável, de extrema importância, é a ausência de qualquer referência a acupuntura ou a descrição de pontos de acupuntura. Podemos concluir que a acupuntura, dentro da medicina de correspondência sistemática era desconhecida na China no século

III A C. É interessante notar que a China do início da dinastia Han, ou seja, século II A C, estava seguindo um curso semelhante ao da Grécia  três séculos antes. Os princípios da patologia, anatomia, e fisiologia estavam sendo descritas como disciplinas humanas distintas.

O professor e sinólogo Paul Uncshuld comenta:

“O que se distingue nas filosofias grega e chinesa emergentes na metade do último milênio A C , é a tentativa de explicar os fenômenos do mundo perceptível como ocorrências naturais, sem referências a forças misteriosas como deuses e antepassados.” (Unschuld, 1985: 55)

 Apesar de Unshuld colocar que não existe nenhuma fonte conhecida da acupuntura  na China anterior ao Shih Chi do ano 90 A C; um autor do século III A C, Han Fei, conta a história de um famoso medico Qin YueRen ( 407 a 310 A C), que ficou conhecido como Bian Que:

…”O Rei Huan notou que Bian Que evitou a sua presença, então o Rei enviou um servo para saber porque Bian Que tinha evitado a sua presença. Bian Que respondeu: Quando uma doença acomete a superficie do corpo uma loção ou uma compressa quente pode curá-la, quando uma doença afeta os músculos o uso de agulhas pode curá-la, quando uma doença afeta o intestino e o estômago uma decocção pode curá-la, mas quando uma doença ataca os ossos não há nada mais a ser feito mas deixar as coisas ao seu próprio destino. Desde que a doença do Rei atingiu os ossos eu não vejo nenhuma razão para recomendar que ele se cuide…” ( Hoizey e Hoizey, 1993:30)

               

 Nos “Registros do Grande Historiador”, Shih Chi de Ssu-ma Ch`ien de 90 A C, o mesmo Qin Yueren é classificado como um médico de grande reputação na sua época, século IV A C. Hoize e Hoize em seu trabalho“A History of Chinese Medicine” afirmam:  

“Na conclusão da biografia de Qin Yueren feita por Ssu-ma Ch`ien, o historiador enfatiza a reputação que Qin adquiriu nos campos da gineologia, pediatria, otorrinolaringologia, oftalmologia e mesmo psiquiatria. Qin afirma que um desequilíbrio do Yin-Yang era a principal causa das doenças, e seu método de diagnóstico, de acordo com Ssu-ma Ch`ien, contava com regras simples como: pegar o pulso, observar a compleição facial, ouvir as vibrações dos ruídos do corpo e questionar o paciente. Ele usava decocções e fomentações na cura dos pacientes assim como praticava acupuntura…”  ( Hoizey e Hoizey, 1993: 31)

Podemos observar que ambos os autores, Ssu-ma Ch`ien e Han Fei, afirmam que Qin Yeren utilizava a acupuntura em sua prática médica o que é negado por Unschuld ao colocar como a primeira referência a acupuntura a prática do médico Shun-yu I,descrita no Shi-chi, pelo próprio Ssu-ma Ch`ien. Neste antigo texto o médico Shun-yu I foi acusado de prática inadequada ao fazer uso da acupuntura e teve que defender-se:

“ Acupuntura é uma técnica que promove o movimento  do Qi através dos canais de transporte do corpo. Como tal está descrita pela primeira vez por Ssu-ma Ch`ien, no Shih-chi ( de 90 A C), através de um médico chamado Shun-Yu I. Este homem foi acusado de má prática, e pode-se inferir que a técnica que ele utilizou era desconhecida para aqueles que o acusaram e lhe pediram explicações. No curso de dois julgamentos, um em 167 A C e outro em 154 A C, Shun-yu I defendeu sua prática. Como sua biografia sugere, Shun-yu-I sabia sobre o fluxo de Qi no organismo, porém,o conceito de circulação não tinha surgido ainda. As agulhas de acupuntura, na opinião de Shun-yu I, eram adequadas para causar influências naquilo que tinha se movido, indevidamente, para cima no organismo descer novamente, e vice versa; para causar o fluxo para dentro e para fora do Qi; para afetar influências perversas, que entraram no organismo e reverter o movimento de influências contrárias ao seu próprio curso. Aparentemente, alguns pontos sobre a pele usados por Shun-yu I para inserir as agulhas ficam em reconhecidos canais de transporte, outros não.” (Unschuld, 1985: 92)

Segundo Unsculd esta seria a primeira vez na literatura que a acupuntura teria sido praticada de acordo com o pensamento da medicina de correspondência sistemática ou seja dentro do paradigma do Qi e da sua influência pelos acupontos. Provavelmente Unschuld não considerou a acupuntura de Qin Yeren como sendo uma prática dentro dos conceitos da medicina de correspondência sistemática apesar de anteceder em um período de  dois séculos a prática de Shun-yu I de acupuntura. Esta passagem histórica, de Qin Yeren também conhecido como Bian Que, é controversa pois não temos como explicar por que o Professor  Unschuld, considerado a maior autoridade em história da Medicina Chinesa, teria ignorado, nem mesmo comentado, nos seus trabalhos, a prática deste médico do século IV A C.         

Nos textos de Ma Wan Dui de 168 AC nós observamos onze meridianos, porém nenhuma referência a circulação do Qi, aos acupontos e a acupuntura. Então podemos inferir, pelos fatos históricos colocados por Unschuld, Hoize e Hoize, que existe um “elo perdido” na história da Medicina Chinesa na sua mudança de paradigma de uma medicina mágico-demonológica baseado no contato com o sobrenatural para a medicina de correspondência sistemática  com raízes na observação dos fenômenos naturais. As perguntas não respondidas são :

  1. Como surgiu a medicina de correspondências sistemática ?
  2. De onde veio a teoria do Qi e dos meridianos chineses?
  3. Como foi desenvolvida a acupuntura e os acupontos?

Estes questionamentos são fundamentais dentro desta pesquisa e podemos sugerir influências externas vindas de alguma cultura, talvez mais antiga e com os seus paradigmas já delimitados que tenham injetado novas idéias aos pensadores chineses. Novamente vamos buscar em Unschuld uma possível hipótese para responder estas questões:

“ Finalmente pode-se especular sobre um elemento estrangeiro o qual penetrou para fornecer o cataclismo para a fusão de todos estes elementos separados em frente a um fundo variado composto de ideais sócio-políticos, fatos sócio-econômicos e  raciocínio cosmológico. Liu Tun-yuan, o descobridor das esculturas da dinastia Han retratando Pien Ch`iao como um pássaro com cabeça humana, sugeriu que este pássaro poderia ter sido influenciado pelo mito do Gandharva indiano o qual de alguma maneira pode ter atingido a costa leste da China. Os Gandharvas, pássaros com cabeças do homens eram conhecidos na Índia desde os tempos védicos, eram tradicionalmente descritos como médicos habilidosos. Talvez  algum terapeuta adotou não apenas o disfarce de homem-pássaro  mas também uma técnica nova que veio com ele.” (Unschuld, 1985: 97)

Esta colocação de Unschuld é muito interessante pois nós sabemos que na segunda metade do primeiro milênio A C as idéias, filosofias e a prática médica na China estavam passando por um período de muitas transformações. Os escritos de Ma Wan Dui do século II AC, são um produto claro destas mudanças, pois, retratam um momento histórico em que tanto a medicina mágico-demonológica quanto os conceitos de correspondência sistemática estavam sendo utilizados pelos médicos e shamans. A possibilidade de uma influência externa no desenvolvimento do pensamento médico na China é uma hipótese que temos que considerar seriamente, visto que é fato histórico que as rotas comerciais com o ocidente, leia-se subcontinente indiano, foram abertas justamente neste momento de mudança, ou seja século II A C. Associado as trocas comerciais vêem as trocas de idéias e teorias que podem ter influenciado a construção do modelo da medicina de correspondência sistemática.

Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, especialista em acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy e Associação Brasileira de Ayurveda. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ e presidente da Associação Brasileira de Ayurveda.

O FINAL DA DINASTIA HAN

O FINAL DA DINASTIA HAN: A MEDICINA INTERNA CHINESA

Zhang Zhong Jing viveu de 150 a 219 da nossa era e é descrito como o “sábio da medicina”. O médico nasceu no distrito de Nanyang, província de Henan, região central da China ao sul de Beijing. No ano de 198 escreveu o Shang Han Lun, o tratado sobre as doenças induzidas pelo frio, e um segundo trabalho mais tarde: o Jin Gui Yu Han Yao Lue ou  sumário dos elementos mais importantes do baú dourado e do recipiente de jade. Ambos os trabalhos fazem parte da assim chamada Medicina Interna Chinesa onde o ênfase está no uso das drogas, a maioria delas plantas medicinais, de acordo com o diagnóstico pelo pulso. Birch e Felt afirmam:

“O Shang Han Lun classifica a evolução das doenças epidêmicas em seis níveis e descreve o tratamento específico para cada estágio. Os tratamentos se baseiam em várias substâncias medicinais colocadas juntas em uma decocção seguindo os princípios do Yin-Yang. Cada substância pode ser modificada de acordo com as manifestações observadas junto ao leito do paciente. O texto possui algumas breves referências a aplicação de agulhas inclusive a utilização do método wei jiu de agulhar com aquecimento, podendo ser a origem das técnicas modernas de agulhas aquecidas por meio de moxas. Por fim, Zhang Zhong Jin teve um efeito profundo e duradouro na prática e no desenvolvimento da farmacologia chinesa…”( Birch e Felt, 2002: 26)

Outro importante médico do final da dinastia Han foi Hua To que nasceu na província de An Hui, próximo a Shanghai, em aproximadamente 110 D C. O médico tornou-se famoso devido aos procedimentos cirúrgicos e anestésicos que utilizava, pela sua habilidade no diagnóstico e pela criação de uma série de exercícios físicos para promover a saúde. Svoboda e Lade afirmam com relação as práticas cirúrgicas de Hua To:    

“Uma interessante figura deste período foi Hua To ( 110 a 208 D C), que é reverenciado como médico e cirurgião brilhante, e também como criador de diversos exercícios físicos taoístas ( Dao Yin), especialmente o sistema baseado nos movimentos de cinco animais. Os relatos de suas técnicas cirúrgicas têm notável semelhança com os métodos cirúrgicos expostos nos textos ayurvédicos, em especial o uso de um preparado a base de cânhamo (ma fei san) para gerar um efeito analgésico no paciente antes da operação. Provas circunstanciais indicam de fato que Hua To, muito provavelmente, Assimilou ao menos algumas de suas habilidades de fontes indianas.”

( Svoboda e Lade, 1995; 83)

 Esta interessante colocação  pelos autores peca por não fornecer as referências bibliográficas as “provas circunstanciais” indicando a influência das práticas de Hua To pela tradição cirúrgica indiana, provavelmente mais antiga que teve como principal expoente, um médico cirurgião chamado Sushruta que deu o nome ao tratado mais antigo de cirurgia que chegou aos nossos dias: Sushruta Samhita.

     O Shen Nong Bemcao Ching ou Clássico da Medicina Herbácea foi provavelmente compilado durante a dinastia Han e parece ter recebido alguma influência de fontes ocidentais a China. Hoize e Hoize afirmam:

….”a expansão política e o crescimento das relações comerciais durante a dinastia Han introduziu na China novas plantas como a alfafa e a videira de “xiyu”, ou seja paises ocidentais, isto é regiões situada a oeste do oásis  Dunhuang na estrada da seda…” (Hoizey e Hoizey, 1993: 40)

A famosa Estrada da Seda, por onde haviam as trocas comerciais, caminhava em direção ao ocidente e tinha um ramo que chegava diretamente no sul da Ásia, região do

subcontinente indiano. A tradição do uso de plantas medicinais na Índia é muito antiga e remonta do terceiro milênio A C, logo as trocas podem ter acontecido nos dois sentidos pois ambas as tradições, chinesa e indiana, têm  farmacopéias muito ricas com a descrição de centenas de plantas medicinais para o uso terapêutico. Hoizey e Hoizey afirmam:

“O Shen Nong BenCao Ching ou o Clássico da medicina Herbácea foi  compilado durante a dinastia Han, provavelmente em algum momento no primeiro século D C. Ele introduziu um novo termo, Benção, literalmente erva essencial, e listou 365 drogas: 252 plantas medicinais, 67 de origem animal e 46 de fontes minerais…”(Hoize e Hoize, 1993:40)

Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, especialista em acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy e Associação Brasileira de Ayurveda. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ e presidente da Associação Brasileira de Ayurveda.

O ENCONTRO DAS TRADIÇÕES CHINESA E INDIANA

Na primeira parte deste trabalho pesquisamos a tradição chinesa no período de formação da Medicina Chinesa, a partir da dinastia Zhou quando se formou o pensamento chinês clássico que possui duas fontes distintas: o Taoísmo e o Confucionismo. Estes são dois pilares da tradição filosófica chinesa, o terceiro pilar o Budismo só teria alcançado a China no primeiro século da nossa era. Além da dinastia Zhou vimos as duas dinastias subseqüentes ; a pequena dinastia Qin e a revolucionária dinastia Han onde foram publicados os principais trabalhos clássicos da Medicina Chinesa.

Durante a segunda parte foi a tradição indiana o objeto de nosso estudo , no período de formação da escola médica clássica da Índia; o Ayurveda. Analisamos as possíveis influências desde a formação da civilização indiana, passando pelo período védico até chegarmos ao Budismo que, como vimos, teve um importante papel na sistematização da racionalidade médica Ayurvedica.

Agora iremos buscar os pontos de encontro entre estas duas tradições a partir de evidências que possam sugerir que o desenvolvimento destas duas escolas não tenha sido isolado mas sim baseado em possíveis intercâmbios de idéias e experiências que teriam influenciado ambas as civilizações  milenares. Nosso objetivo em momento algum será fazer afirmações ou colocar certezas mas trilhar o caminho da possibilidade e a partir disto lançar hipóteses e sugerir novas pesquisas dentro destas hipóteses.

Vamos iniciar esta discussão com a afirmação de Unschuld sobre o Budismo na China:

“ Condições históricas provaram ser favoráveis a doutrina budista….. Budismo entrou na China através da Ásia central no primeiro século. A indicação mais primitiva de uma comunidade budista na China é de 65 D C. Parece que a elite foi a primeira a ser atraída pelos novos ensinamentos. Mas, ao menos, no quarto século o budismo tinha alcança todos os níveis da sociedade. Era inevitável que tamanho fundamento ideológico também trouxesse uma nova dimensão ao tratamento das doenças, expandindo o já existente espectro do sistema terapêutico na China”…( Unschuld, 1985: 133

Com esta afirmação Unschuld coloca a importante questão das novas idéias e filosofias que entraram na China  a partir da expansão do Budismo que teve seu inicio no século III AC  com a conversão do imperador Ashoka ao pensamento de Buda. Sobre isto Svoboda afirma:

“No terceiro século  A C, Ashoka, imperador da maior parte do norte da Índia converteu-se ao budismo.. e ele enviou muitos embaixadores e missionários aos países vizinhos…” (Svoboda and Lade, 1995: 91)

Existe a possibilidade de que o primeiro contato entre as duas culturas tenha sido através de Ashoka, ou um pouco mais tarde no século II A C com a abertura das rotas comercias: Estrada da Seda e Estrada da Birmânia. Junto com a troca de mercadorias há a troca de idéias e filosofias neste momento histórico a China e a Índia se encontravam e em momentos auspiciosos para as duas tradições, pois a China estava iniciando a dinastia Han, um período demais de  400 anos com muitas transformações e a Índia estava em franca expansão do Budismo, filosofia que teve um papel fundamental no desenvolvimento do Ayurveda, pois como vimos muitos médicos indianos estavam diretamente relacionados ao pensamento de Buda. Não apenas isto, mas a filosofia budista, que nos seus primórdios  já pregava o conhecido “caminho do meio”,  influenciou o pensamento médico na Índia de uma forma mais liberal sem os “tabus” que controlavam a tradição religiosa hegemônica dos Vedas.

     As tradições médicas dos dois países têm muitas semelhanças, mas também muitas diferenças, ambas tiveram um forte apelo filosófico-religioso no seu desenvolvimento mas isto sem sombra de dúvida é muito maior atualmente na Índia que na China pois  o governo comunista procurou excluir da Medicina Tradicional Chinesa toda influência filosófico-religiosa e procurou conceber uma Medicina Chinesa “científica”, esta influência marxista não ocorreu na Medicina Indiana onde a influência religiosa continua sendo marcante.

Os Doshas ou humores biológicos indianos não têm paralelo na Medicina Chinesa, mas podemos fazer associações com a teoria do Yin-Yang e o Qi. Com relação a esta analogia Svoboda e Lade argumentaram:

“Embora tanto o Ayurveda quanto a Medicina Chinesa proponham um modelo de cinco elementos para a organização da base física do homem, na tradição médica indiana este modelo é simplificado e reduzido a uma teoria trinitária para a compreensão da fisiologia humana e as associações energéticas: a teoria dos três Doshas. Esse modelo Ayurvédico se articula bem com a conceituação que faz a Medicina Chinesa de Yin, Yang e Qi, potencial que nasce dos dois primeiros, embora os Doshas não possam ser igualados a seus correlatos chineses. Kapha se relaciona mais intimamente com a Água, exibindo os atributos deste Elemento e assim é análogo ao Yin. Pitta por sua vez corresponde a imagem do Yang, pois se relaciona ao Fogo, apresentando as qualidades deste elemento. E Vata, que está basicamente associado ao elemento Ar, sendo responsável por toda a forma de circulação, incluindo a de Prana, encontra paralelo na ideia chinesa de Qi.” ( Svoboda and Lade, 1995: 95)

Esta interessante afirmação dos autores faz uma analogia entre a fisiologia chinesa e indiana. Nós achamos que o conceito de Prana lembra muito o paradigma do Qi. Pois segundo o “Sanscrit English Dictionary” Prana é o “respirar da vida”, vento, inalação de ar e no Chinese-English Dictionary, Qi  significa gás, ar e respirar logo existe uma semelhança entre os dois conceitos.Ambos, Prana e Qi, circulam em condutos e atuam em órgãos e tecidos. A saúde está relacionada com a boa circulação destas “influências” pelo nosso corpo, e em ambas as tradições existem técnicas que utilizam a respiração e a concentração para mobilizá-los: Qi Gong (trabalho com o Qi) e Pranayama ( controle do Prana).

Na minha experiência pessoal com Qi Gong na China e Pranayama na Índia, nos anos 90 tive a oportunidade de observar a grande semelhança que existe entre os conceitos teóricos e a vivência prática destas duas escolas orientais. Ambas as técnicas procuram através da concentração da mente mobilizar o fluxo de Qi/Prana pelos condutos Jing Lo/Nadis ao associar este fluxo com as práticas de disciplinas respiratórias.

Ambas as doutrinas e filosofias enfatizam o equilíbrio através da integração com as leis da natureza e a moderação nos hábitos e nas ações. O caminho do meio budista está impregnado em ambas as tradições. Assim como a prática de exercícios físicos terapêuticos como o Tai Chi na China e o Hatha Yoga na Índia.

A Medicina Chinesa e Indiana fazem, ambas, uso de drogas de origem mineral, animal e vegetal. Porem, sem sombra de duvida, o ênfase é a fitoterapia, ou seja o uso terapêutico das plantas medicinais, e muitas são comuns as duas tradições. Além disso a massagem terapêutica é largamente empregada nas duas escolas de forma integrada com o diagnóstico do desequilíbrio do paciente. Sobre a integração das duas doutrinas e de sua fisiopatologia Svoboda e Lade afirmaram:

          “ Como o Ayurveda, em geral, se concentra mais na compreensão e no tratamento de tipos constitucionais, enquanto a Medicina Chinesa cuida predominantemente de padrões específicos de doenças, estes dois enfoques de um viver saudável são potencialmente complementares. Por exemplo, do ponto de vista da Medicina Chinesa, Kapha exibe características de hipoatividade.

Isso se manifesta no organismo como uma tendência ao peso e ao frio devido a deficiencia de Yang ( calor). Os fluidos corporais se acumulam facilmente, devido a uma circulação obstruída, e ocorre então a diminuição do funcionamento digestivo e metabólico. As doenças ligadas a umidade, frio e catarro se encontram dentro do domínio de Kapha. A disposição mental que distingue Kapha é o embotamento da mente, que provoca possessividade, melancolia, calma e a tendência a uma tolerância excessiva. Na Medicina Chinesa estas são síndromes básicamente associadas ao Baço e ao Estomago e secundariamente aquelas que envolvem Pulmões, Rins e Bexiga, que parecem mais intimamente relacionadas a Ka-pha…Pitta exibe a característica geral de hiperatividade atributo decididamente Yang.

No corpo isto se manifesta como leveza e calor, devido a deficiência de Yin corporal. Essa condição de excessivo calor prejudica o sangue e aumenta a atividade digestiva e metabólica. Na Medicina Chinesa os distúrbios ligados ao calor  (fogo e calor de verão ), incluindo a condição de calor no sangue, são considerados correspondentes a Pitta. A disposição mental deste Dosha envolve a agudeza da mente discriminação apurada, disposição agressiva, raiva e ciúme. Na Medicina Chinesa os padrões do Fígado e da Vesícula Biliar e secundariamente do Coração, do Intestino Delgado e dos Rins, relacionam-se mais intimamente com Pitta…Vata tem característica geral de ser móvel e instável como o vento, e produz um senso de constante alteração no corpo e na mente. Em excesso isto se manifesta como dores e sensações que não são fixas em manifestação e duração com uma tendência a secura. No Ayurveda, Vata esta intimamente ligado a Prana; e este na Medicina Chinesa pode ser comparado ao Qi. Assim a manifestação de Vata, corresponde a estado de deficiência de Qi e perturbações de sua circulação. O estado mental de Vata revela uma disposição mutável marcada pelo medo, mau humor, nervosismo, preocupação e impaciência. Na Medicina Chinesa o desequilibrio de Vata se correlaciona primariamente com os padrões orgânicos ligados as síndromes do Fígado e do Pulmão e secundariamente do Protetor do Coração, do Triplo Aquecedor e do Intestino Grosso…  (Svoboda and Lade, 1995: 113 e 114)

Esta colocação de Svoboda e Lade, extremamente interessante, coloca a possibilidade de complementaridade das duas escolas, pelos profissionais, sem perder as características fundamentais e peculiares de ambas as tradições. Nós acreditamos que as duas racionalidades médicas são complementares e podem ser usadas de forma associada na prática clínica, sem nenhum prejuízo para as suas doutrinas e filosofias.

     Quando desenvolvemos o pensamento médico chinês, nós colocamos que havia um “elo perdido” na história da mudança de paradigmas entre uma medicina mágico-demonológica baseado no contato com o sobre-natural, shamanista, e uma medicina de correspondência sistemática, baseada na observação dos fenômenos naturais. Pois no século II mais precisamente 168 A C nos manuscritos de Ma Wan Dui, existem meridianos, mas não há acupuntura, acupontos nem o paradigma do Qi tinha sido desenvolvido adequadamente porém no Huang Ti Nei Ching, compilado entre o segundo e o primeiro século antes de Cristo já encontramos uma mudança de paradigma com acupontos, circulação de Qi e acupuntura sistematizada. Surgiram três perguntas de difícil resposta:             

 1 – Como surgiu a medicina de correspondência sistemática?

2 – De onde veio a teoria do Qi e dos meridianos chineses?

3-  Como foi desenvolvida a acupuntura e os acupontos?

São perguntas que nós tentaremos formular algumas possíveis hipóteses associada as evidências que nós encontramos na literatura. A teoria da medicina de correspondência sistemática foi desenvolvida, esta é a nossa hipótese, através das observações dos sábios chineses dos fenômenos naturais que tem a sua maior representação na teoria do Yin-Yang e nas Cinco Fases ou Elementos que encontram ressonância nas mudanças das estações do ano e nos ciclos de alternância do dia e da noite. Possivelmente os filósofos taoístas tiveram uma importância neste desenvolvimento.

Além dos Taoistas temos que levantar a possibilidade de uma influência externa a China no desenvolvimento da teoria dos 5 Elementos ou Movimentos pois em fontes do período védico tardio encontramos referências aos elementos da natureza na tradição indiana. O Taittiriya Upanishad cerca de 600 A C afirma:

            “ Do Si-Próprio (atman) surgiu o espaço

               Do espaço, o vento

               Do vento, o fogo

               Do fogo, a água

               Da água, a terra

               E da terra, as plantas, alimentos…( Campbell, 2002: 337)

Como podemos observar o paradigma do Qi chinês é semelhante a teoria do Prana indiano e que ambas as “substâncias” fluem em condutos e que se relacionam a pontos vitais acupontos ou marmas. Unschuld afirma sobre a acupuntura na China:

“…Aparentemente um certo tipo de tratamento com agulhas existe de épocas desconhecidas. Iniciando no terceiro e especialmente no segundo século A C, a teoria dos meridianos se desenvolveu na base da inter-relação de todas as funções do organismo, por um sistema de canais interconectados por onde passam Qi e sangue. Somente quando estes dois itens surgiram: a teoria dos canais na fisiologia e patologia de um lado e a noção que certas doenças podem ser curadas se as agulhas forem puncionadas no músculo, somente quando estes dois componentes uniram-se ou seja  quando a noção de que puncionar as agulhas no corpo podia influenciar o curso do Qi e sangue somente neste momento a acupuntura surgiu. Puncionar as agulhas sem a noção da circulação de Qi nos canais não é acupuntura e não está restrito a China.” (Unschuld, por email 2003)

Com esta afirmação, Unschuld coloca que para a existência de acupuntura é necessário além das agulhas, o paradigma do Qi, os meridianos ou canais e os acupontos onde serão introduzidas as agulhas para influenciar a circulação deste Qi. Conceito fundamental para avaliarmos a  acupuntura indiana ou ayurvedica, como prefere  Dr. Frank Ros. Na Índia o conceito de circulação de Prana em canais é possivelmente anterior ao século II A C, assim como a teoria dos marmas relacionados a condutos e a circulação de Prana. Shifu Nagaboshi Tomio afirma:

 Na tradição moderna de acupuntura existe uma lenda, que é recontada, que a descoberta dos pontos vitais iniciou-se na Índia como resultado dos estudos e pesquisas em combate realizados pelos guerreiros Ksatreia indianos,  com o objetivo de descobrir os pontos vitais e mortais  no corpo que poderiam ser tocados em um combate com as mãos. É dito que eles experimentaram nos prisioneiros  puncionando seus corpos com agulhas-adagas de ferro e pedra. Esta lenda chinesa reflete e complementa o conto indiano onde é dito que após as batalhas efeitos terapêuticos apareceram de feridas superficiais,  recebidas pelos guerreiros na batalha, feitas com adagas ou flechas. Por associar a cura dessas feridas com a lesão pelas adagas ou flechas vários médicos iniciaram uma experimentação com agulhas em si mesmo ou nos outros com objetivo de descobrir os pontos e áreas de valor terapêutico e quaisquer outros que a energia pode ser gerada ou dispersa. Estes pontos foram reconhecidos como regiões especiais do corpo onde a energia poderia ser modificada, ou alterada por influências externas,  como pressão dos dedos ou manipulação.” (Tomio, 1994:145)

 A nossa tentativa é pegar várias peças separadas em diferentes fontes e juntar o “quebra cabeça” da acupuntura e tentar propor uma hipótese que possa explicar o surgimento “aparentemente do nada” da acupuntura na China em torno do século II AC. Ao unirmos todos estes dados, como um “Sherlock Holmes” da história podemos apresentar a hipótese que a Índia estava em condições de desenvolver através da experimentação nos pontos marmas, um sistema semelhante a acupuntura chinesa, chamada de Suchi Veda, ou literalmente conhecimento das agulhas.     

As transformações que levaram mudança de paradigma de uma medicina ancorada nas forças sobrenaturais, mágico-demonológica, para uma medicina do contato com a natureza ou de correspondência-sistemática na China. Também ocorreu em épocas semelhantes ou seja segunda metade do primeiro milênio antes da nossa era na Índia, com  a transformação de paradigmas que aconteceu na Medicina Indiana. A medicina mágico-religiosa dos Vedas, que nunca deixou de existir, foi sendo substituída por uma medicina empírico-racional, não védica, que passou a ser conhecida como Ayurveda ou a ciência da vida. Esta mudança que teve como combustível,  segundo Zysk e Ramachandra Rao,as tradições não védicas do Budismo, Tantrismo e dos ascetas errantes Sramanas, além do possível contato com outras tradições como a alquimia chinesa, não está totalmente elucidada pois faltam referências na literatura indiana antiga sobre esta tradição intermediária entre os Vedas e o Ayurveda.

Nos parece que as tradições chinesa e indiana sofreram transformações muito semelhantes no primeiro milênio antes da nossa era, é possível que durante este período e principalmente a partir do século III A C, o intercâmbio proporcionado pelas trocas comerciais e pela expansão do budismo na Ásia central a partir do sub-continente indiano tenha sido um estímulo as novas idéias e transformações do pensamento médico de ambas as civilizações.   

A nossa hipótese é que os indianos desenvolveram em uma época anterior ao século II A.C., um sistema primitivo de acupuntura baseado na teoria dos marmas através da experimentação, relacionado a teoria da circulação do Prana nos condutos, formando os pré-requisitos que Unschuld colocou para uma prática ser chamada de acupuntura: puncionar as agulhas em pontos que terão influência na circulação de Prana com objetivo terapêutico. Esta acupuntura indiana teria sido levada a China provavelmente por volta do século III ou II AC, junto com o Budismo, e teria provocado todo a condição para o desenvolvimento da acupuntura chinesa a partir da dinastia Han. Associado ao uso das agulhas a teoria do Prana e dos marmas teria sido levada para a China e lá se desenvolvido. O conceito de Prana teria sido importante para o desenvolvimento do paradigma do Qi. Já os pontos marmas e os nadis seriam as influências do “elo perdido” que teriam levado a formação dos acupontos e dos meridianos chineses a partir do século II A.C.

Esta é apenas uma  hipótese que necessita de maior investigação através de outras fontes e referências históricas. Como disse Unschuld:

        “A origem da acupuntura na China não está clara. Nenhuma fonte chinesa conhecida, anterior ao Shih-chi (90 A C) contém qualquer referência a técnica.” ( Unschuld, 1985: 94)

Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, especialista em acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy e Associação Brasileira de Ayurveda. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ e presidente da Associação Brasileira de Ayurveda.

CONCLUSÃO DA PESQUISA DE MESTRADO: MEDICINA CHINESA E AYURVEDA UM ESTUDO COMPARADO

            

      O Ayurveda e a Medicina Chinesa são ambos sistemas vivos e em evolução de raízes muito remotas e são na verdade as mais antigas tradições médicas documentadas que continuam em prática, ininterrupta, nos seus países de origem até os dias de hoje. Ambos os sistemas estão baseados em um empirismo e na observação dos fenômenos naturais praticados pelos sábios-médicos desde épocas primitivas.

O estudo da história destas antigas e ricas tradições revela muitos pontos de contatos e muitas tentativas de intercambiar idéias e práticas dentro das centenas de anos do desenvolvimento destas racionalidades. O Budismo foi, sem a menor duvida, um importante estimulo que facilitou este contato e intercambio principalmente a partir do século III A C com o imperador Ashoka na Índia e as rotas comerciais da Seda e da Birmânia no século II A C.

A crença de que a pessoa que vive de acordo com as leis da Natureza permanece saudável e que a ignorância e a violação destas leis leva a doença e ao sofrimento, é fundamental para ambas as tradições. A Medicina Chinesa utiliza os conceitos da filosofia Taoista e Conficionista, Yin e Yang e das 5 Fases ( Elementos) para explicar o funcionamento da Natureza enquanto o Ayurveda bebe da filosofia Hindu e Budista e as teorias dos Doshas e dos 5 Elementos para explicar a visão da ordem natural. Embora as doutrinas chinesa e indiana realmente compartilhem de certos temas comuns, são essencialmente únicas e seus conceitos não podem ser intercambiados na totalidade.

A transformação dos paradigmas de tradições embasadas em medicinas mágico-demonológicas e mágico-religiosas para racionalidades de correspondência sistemática e empírico-racional que aconteceu na China e na Índia, em épocas semelhantes ,ou seja, segunda metade do primeiro milênio antes da nossa era, é uma mudança que não foi totalmente esclarecida pelos historiadores de ambas as civilizações e que no nosso entender necessita de pesquisas mais profundas nas fontes primárias orientais por pesquisadores das racionalidades médicas chinesa e indiana.

A acupuntura que foi uma ferramenta terapêutica em ambas as tradições médicas em tempos antigos também necessita de uma maior investigação nas fontes primárias orientais. Pois a sua origem na China e o seu desenvolvimento e praticamente desaparecimento na Medicina Indiana, onde, como vimos foi praticada nos mosteiros budistas, não foi revelada pelos historiadores da Medicina Oriental. Existe, em nossa opinião, a necessidade de uma maior investigação desta área de pesquisa pois é possível que muitas fontes originais estejam ainda esperando o investigador para a revelação de “pérolas escondidas”.

Na verdade com esta pesquisa tivemos em mente apontar os possíveis intercâmbios entre estas duas medicinas milenares e sugerir novas pesquisas para outros investigadores da história da Medicina Oriental. Pois acreditamos na necessidade do aprofundamento destas pesquisas históricas para o maior entendimento do nascimento, desenvolvimento e intercâmbio entre as diversas tradições que levaram a formação das racionalidades médicas chinesa e indiana.

Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, especialista em acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy e Associação Brasileira de Ayurveda. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ e presidente da Associação Brasileira de Ayurveda.

 

BIBLIOGRAFIA NA PESQUISA DE MESTRADO REALIZADA NO INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL DA UERJ COM A ORIENTAÇÃO DA PROF. DRA. MADEL LUZ Por Aderson Moreira da Rocha

 

ABRAM, D.,SEN,D.,SHARKEY, H. & WILLIAMS G. J. India The Rough Guide. London, Penguin Group, 1997.

ALPHEN, J. V. & ARIS, A. Eds.,Oriental Medicine – A Ilustrate Guide to The Asian Arts of Healing. London, Serindia Publication, 1995.

ATILAH, J., LEFFMAN, D. & LEWIS, S. China – The Rough Guide. London, Rough Guides, 1997.

BEIJING FOREIGN LANGUAGE INSTITUTE, The Pinyin Chinese-English Dictionary. Hong Kong. Commercial Press, 1993.

BEINFIELD, H. & KORNGOLD, E. Between Heaven and Earth – A Guide to Chinese Medicine. New York, Ballantine Books, 1991.

BENSKY, D. & GAMBLE,A. Chinese Herbal Medicine- Matéria Medica. Seatle, Eastland Press, 1993.

BHISHAGRATNA, K. L. Sushruta Samhita. Delhi, Chowkhamba Press, 1991.

BIRCH, S. & FELT, R. Entendendo a Acupuntura. São Paulo. Editora Roca, 2002.

BISHOP, D. H. Chinese Though – An Introduction. Delhi, Motilal Barnasidass, 1995.

BLOFELD, J. Taoism – The Road To Immortality. Boston, Shambhala Publication, 1978.

BOZAN, J., XUNZHENG, S. & HUA, H. A Concise History of China. Beijing, Foreign Languages Press, 1986.

CAMPBELL, J. As Mascaras de Deus – Mitologia Oriental. São Paulo, Editora Palas Athena, 2002.

CLEARY, T. O Essencial do Tao. São Paulo, Editora Best Seller, 1991.

DASH, B. V. Fundamentals of Ayurvedic Medicine. Delhi, Konark Publishers 1995.

ELIADE, M. Yoga – Immortality and Freedom. New Jersey, Princeton University Press, 1990.

FEUERSTEIN, G. A Tradição do Yoga. São Paulo, Editora Pensamento, 2001.

_______________ Tantra – Sexualidade e Espiritualidade. Rio de Janeiro, Nova Era, 2001.

FEUERSTEIN, G., KAK, S. & FRAWLEY, D. In The Search of The Cradle of Civilization. Delhi, Motilal Banarsidass, 1999.

 

FILLIOZAT, J. The Classical Doctrine of  Indian Medicine. Delhi, Munshiram Manoharlal, 1964.

FRAWLEY, D. Tantric Yoga and The Wisdom Godesses. Salt Lake City, Passage Press, 1994.

___________   Yoga & Ayurveda – Self-Healing and Self-Realization. Delhi, Motilal Banarsidass, 2000.

____________  Ayurvedic Healing – A Comprehensive Guide. Twin Lakes, Lotus Press, 2000.

GONÇALVES, R. M. Textos Budistas e Zen-Budistas. São Paulo, Editora Cultrix, 1992.

GRANET, M. O Pensamento Chinês. Rio de Janeiro. Contraponto. 1997.

HE, Y. H.& NE, B. Z. Medicina Tradicional Chinesa. São Paulo, Atheneu, 1999.

HOERNLE, A. F. R. Studies in The Medicine of Ancient India. New Delhi, Concept Publishing Company, 1994.

HOIZE, D. & HOIZE, M. J. A History of Chinese Medicine. Edinburgh, Edinburgh University Press, 1993.

KAPTCHUK, T. J. The Web That Has No Weaver. Chicago, Congdon & Weed, 1983.

KIELCE, A. O Taoísmo. São Paulo, Martins Fontes,1986.

LELE, A.,RANADE, S. e FRAWLEY, D. Secrets of Marma. Pune. International Academy of Ayurveda, 1999.

LESLIE, C. & ALLAN, Y. Path to Asian Medical Knowledge. New Delhi, Mun-                        Shiram Manoharial Publisher, 1993

LESLIE, C. Asian Medical Systems: A Comparative Study. Delhi, Motilal Banarsidass, 1998.

LUZ, Madel T. “ Racionalidades Médicas e Terapêuticas Alternativas”. Série Estudos em Saúde de Coletiva. Rio de Janeiro, no 62, 1993.

______  “Estudo Comparativo das Medicinas Ocidental Contemporânea, Homeopática, Tradicional Chinesa e Ayurvedica em Programas Públicos de Saúde”. Série Estudos em Saude Coletiva. Rio de Janeiro, nº 140, 1996.

_______  “Medicina Tradicional Chinesa”. Série Estudos em Saúde Coletiva,  Rio de Janeiro, no 150, 1997.

MACIOCIA, G. Os Fundamentos da Medicina Chinesa.São Paulo, Editora Roca,1996.

MALIK, S. C. Indian Civilization – The Formative Period. Delhi, Motilal Barnar              sidas, 1968.

MERTON, T. A Via de Chuang Tzu. Petrópolis, Editora Vozes, 1989.

MIYUKI, M. A Doutrina da Flor de Ouro. São Paulo, Editora Pensamento,1990.

MONIER, M., Sanscrit English Dictionary, London, Oxford University Press,1979.

MUKHOPADHYAYA, G. History of Indian Medicine. Calcutta, University of Calcutta, 1994.

MUTZENBECHER, A. I Ching – O Livro das Mutações: Sua Dinâmica Energética. Rio de Janeiro, Editora Gryphus, 2002.

NI, M. The Yellow Emperor`s Classic of Medicine, Boston, Shambhala Publication, 1995.

NORMAND, H. Os Mestres do Tao. São Paulo, Editora Pensamento, 1987

OMURA, Y. Acupuncture Medicine. Tokyo, Japan Publication, 1982.

RAMA, S. Vivendo Com os Mestres do Himalaia – Experiências Espirituais do Swami Rama. São Paulo, Editora Pensamento, 1978.

RAMACHARACA, I. As Doutrinas Esotéricas das Filosofias e Religiões da Índia. São Paulo, Editora Pensamento, 1978.

RANADE, S. Natural Healing Through Ayurveda. Delhi, Motilal Banarsidass, 1999.

RANADE, S., QUTAB, A. & DESHPANDE R. History and Philosophy of Ayurveda. Pune, International Academy of Ayurveda, 1978.

RAO, S. K. R. Encyclopaedia of Indian Medicine. Mumbai, Ramdas Bhatkal, 1985.

ROS, F. The Lost Secrets of Ayurvedic Acupuncture. Twin Lake. Lotus Press, 1994.

SARASWATI, S. C. The Vedas. Mumbai, Sudhakshina Trust, 1998.

SCHIPPER, K. The Taoist Body. Berkeley, University of California Press, 1993.

SHARMA, R. K. & DASH, B.Caraka Samhita. Varanasi, Chowkhamba Press,1988.

SILVA, G. Dhammapada – Caminho da Lei. São Paulo, Editora Pensamento, 1980.

SVOBODA, R. & LADE, A. Tao and Dharma – Chinese Medicine and Ayurveda. Twin Lakes, Lotus Press, 1995.

SVOBODA, R. Ayurveda – Life, Health and Longevity. New York. PeguinBooks, 1992.

TAYLOR, C. & Cols. China. Hawthorn, Lonely Planet Publications, 1996.

TEJOMAYANANDA, S. Hindu Culture – An Introduction. Mumbai, Central Chin-Maya Mission Trust, 1998.

THATTE, D. G. Acupuncture, Marma and Other Asian Therapeutic Techniques. Varanasi, Chaukhambha Orientalia, 1988

TOMIO, S. N. The Bodhisattva Warrior.York Beach, Samuel Weiser, 1994.

TRIPATHI, R. S. History of Ancient India. Delhi, Motilal Banarsidass, 1992

TSE, L. O Livro do Caminho Perfeito – Tao Te Ching. São Paulo, Editora Pensamento, 1983.

 

UNSCHULD, P. Medicine in China – A History of Ideas. Berkeley. University of California Press, 1985.

_______ Nan-Ching – The Classic of Difficult Issues. Berkeley. University of  California Press, 1986.

VAGBHATA, Astanga Samgraha.Varanasi, Chaukhambha Orientalia, 1998.

___________  Astanga Hrdayam. Varanasi, Krishnadas Academy, 1991.

VEITH, I. The Yellow Emperor`s Classic of Internal Medicine. Berkeley, University Of  California, 1972.

WANG, B. Yellow Empero`s Canon Internal Medicine.Beijing, China Science & Tecnology Press, 1997.

WATSON, B. Chuang Tzu – Escritos Básicos. São Paulo, Editora Cultrix, 1987.

WATTS, A . Tao – O Curso do Rio. São Paulo, Editora Pensamento, 1991.

WIHELM, R. I Ching – O Livro das Mutações. São Paulo, Editora Pensamento, 1983.

WONG, E. The Shambhala Guide to Taoism. Boston, Shambnala Publication, 1997.

WONG, M. Exploração Clinica em Medicina Chinesa: Shang Han Lun. São Paulo, Andrei, 1988.

_________  Ling  Shu – Base da Acupuntura Tradicional Chinesa. São Paulo, Andrei, 1995. XINNONG, C. Chinese Acupuncture and Moxibustion. Beijing, Foreign Language Press, 1997.

YOGANANDA, P. Autobiografia de um Iogue. São Paulo, Editora Summus, 1981.

YU- LAN, F. A History of Chinese Philosophy. Delhi, Motilal Banarsidass, 1994.

ZHONGJING, Z. Treatise on Febrile Diseases Caused by Cold. Beijing, New World Press, 1986.

_____________ Synopsis of Prescriptions of the Golden Chambers. Beijing New World Press, 1987.

ZIMMER, H. Filosofias da Índia. São Paulo, Editora Palas Athena, 1986.

ZYSK,K. Asceticism and Healing in Ancient Índia. Delhi. Motilal Banarsidass Publisher, 1998.

________ Medicine in the Veda – Religious Healing in The Veda. Delhi.Motilal Banarsidass Publisher, 1996.

 

Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, especialista em acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy e Associação Brasileira de Ayurveda. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ e presidente da Associação Brasileira de Ayurveda.