O TAOISMO

O TAOISMO

Ainda no final da Dinastia Zhou no período chamado “Os Estados Combatentes” aparece um personagem importante na historia do pensamento chinês que irá fundar a segunda das 3 escolas de filosofia clássica chinesa: Lao Tzu ;  da fundador da escola taoista.

 

    Alan Watts no seu trabalho titulado: TAO; o curso do rio afirma:                                                  

          “Até bem recentemente, acreditava-se que Lao Tzu ( também conhecido como Lao Tan ou Li Erh) vivera na época de Confúcio (K`ing Fu-tzu ), ou seja no século VI e V A C., supostas datas da vida de Confúcio, 552 a 479 A C. O nome Lao Tzu significa Velho Garoto, originário da lenda que havia nascido com cabelos brancos. Esta data baseia-se em controvertida passagem do historiador Ssu-ma Ch`ien (145 a 79 AC), o qual relata que Lao Tzu era curador da biblioeca real na capital Lo-yang, onde Confúcio visitou-o em 517 A C.”

        

         “Li (Lao Tzu) disse a k`ung ( Confúcio ): Os homens de quem fala estão mortos e seus ossos reduzidos a pó; restaram apenas suas palavras. Ademais, quando o homem superior tem oportunidade, ele chega ao alto; mas quando o tempo está contra ele é levado pela força das circunstancias. Ouvi dizer que um bom comerciante, a despeito dos ricos tesouros que guarda em segurança, aparenta ser pobre e que o homem superior, a despeito de sua extrema virtude, ainda assim externamente parece estúpido. Deixe de lado seus ares orgulhosos e seus muitos desejos, seus hábitos insinuantes e sua vontade desenfreada. Elas não lhes são vantajosas; – isto é tudo que tenho a lhe dizer.”

        

           Após a entrevista, Confúcio teria dito:

“Sei como os pássaros voam, como os peixes nadam e como os animais correm. Mas o corredor pode ser apanhado em uma armadilha, o nadador fisgado e o voador colhido pela flecha. Contudo existe o Dragão; não sei como ele cavalga o vento, atravessando as nuvens e chega aos céus. Hoje encontrei Lao Tzu, e só posso compará-lo ao dragão.” (Ssu-ma Ch’ien, em Watts, 1991: 25)        

 

     Porem quem foi Lao Tzu, chamado de Velho Mestre, e fundador da escola Taoista que junto com o Confucionismo e o Budismo formam as 3 escolas clássicas do pensamento chinês. Nós temos muito poucas informações sobre o sábio; a fonte mais fidedigna vem de Ssu-ma Ch`ien, historiador do século II AC, que escreveu o Shih Chi :

 

“ Lao Tzu foi um nativo do povoado de Chu`jen, em Li hsiang, no distrito de k`u, no estado de Ch`u. Seu nome próprio era Erh, seu pseudônimo era Tan, e seu nome de família era Li…Lao Tzu praticava o Caminho ( Tao ) e a força ( Te). Sua doutrina  tinha como objetivo o “auto-esquecimento”e o “anonimato”…Lao Tzu era um cavalheiro recluso. Seu filho chamava-se Tsung que tornou-de um general do estado de Wei…” ( Ssu-ma Ch’ien, em Fung Yu Lan, 1994: 171)

 

    E Ssu-ma Ch`ien acrescenta:

    

“ Lao Tzu cultivou o Tao e seus atributos, tendo como principal objetivo de seus estudos manter-se oculto e desconhecido. Continuou residindo na capital de Chou, mas após um grande período de tempo, testemunhou o declínio da dinastia, dirigiu-se a saída da cidade e deixou o reino, rumando para o noroeste. Yin Hsi, o guarda do portão disse a ele: “você está prestes a desaparecer de nossas vistas, permita-me insistir que componha ( primeiro) para mim um livro.” Aquiescendo, Lao Tzu escreveu uma obra em duas partes, expondo as suas visões sobre o Tao e seus tributos em mais de 5000 caracteres. Em seguida partiu e não se sabe onde morreu. Ele era um homem superior que preferiu manter-se no anonimato.” ( Ssu-ma Ch’ien, em Watts, 1991: 26)

     O próprio Lao Tsu, no capitulo 20 de sua obra, nos deixa o melhor retrato de si mesmo:

        “ Afaste-se do aprendizado e não terá preocupações.

           Que distancia há entre o sim e o é ?

           As coisas que o povo teme só podem ser temidas.

           Verdadeiramente selvagem é o descentrado!

           A maioria das pessoas celebra

           como se assasse uma vaca abatida,

           ou admirasse paisagens primaveris.

           Somente eu sou indiferente,

           Sem demonstrar sinais,

           como a criança que ainda não sorri,

           movendo-se sem rumo

           sem saber para onde ir.

           A maioria das pessoas tem demasiado;

           Somente eu pareço estar perdendo algo.

           Na verdade minha mente parece a de um ignorante

          em sua inalterada simplicidade.

          As pessoas comuns tentam brilhar;

          somente eu pareço ser escuro.

          As pessoas comuns tentam ser alerta;

          somente eu pareço descuidado,

          calmo como as profundezas do oceano,

          flutuando como se ancorado em lugar nenhum.

          A maioria das pessoas tem meios e fins;

          Somente eu sou simples e sem sofisticação.

          Somente eu sou diferente das pessoas,

          Procuro buscar o alimento na mãe.”

          (Lao Tzu, em Clearly, 1991: 38)

 

     Esta antiga obra ficou conhecida como Tao Te Ching, foi organizado em 81 capitulos e é considerada a primeiro texto taoista, e influenciou todo uma linha de pensamento que veio a ser desenvolvida a partir do século V A C com os chamados “mestres do Tao”. A filosofia taoista teve, assim como o confucionismo, um importante papel no desenvolvimento do pensamento médico chinês e principalmente da medicina de correspondência sistemática.

     Porem para entendermos a influencia do pensamento taoista e das diversas escolas filosóficas e religiosas, que tiveram origem nesta linha de pensamento, e foram importantes no processo de desenvolvimento histórico da racionalidade medica chinesa temos que tentar compreender o que é o taoísmo. Com certeza isto não é uma tarefa simples para uma mente ocidental cartesiana e treinada no pensamento lógico.

 

     O sábio Lao Tzu, fundador da escola taoista, no primeiro capitulo do Tao Te Ching afirma :

               “ O Tao que é chamado por um nome

                  não é o Tao eterno.

                  O nome que pode ser pronunciado

                  não é o nome eterno.

                  No inonimado ( wu ming ), o céu e a terra

                  tem sua origem.

                   Ao serem chamados por um nome  ( yu ming),

                  todas as coisas tem o seu inicio.

                  Por isto o coração puro livre de cobiça e desejo

                  (wu-yu )

                  contempla o milagre do Tao,

                  mas a mente ( yu-yu) perturbada pelos desejos

                  só pode ver os seus limites.

                  Tanto o não-ser (wu) como o ser (yu) tem

                  raízes

                  no mesmo fundo primordial,

                  só se distinguindo pelo nome.

                  Ao se unirem ( os opostos) realiza-se o

.                  mistério.

                  E o mistério ainda mais profundo do mistério

                  A porta da qual surgem todos os milagres”.

                  (Lao Tzu, em Miyuki, 1990: 31)

 

           Podemos notar a semelhança entre a filosofia de Lao Tzu e o pensamento hindu como descrito pelo Swami Vivekananda em suas palestras:

“Ele, o Único, vibra mais rapidamente que o espírito, atinge uma velocidade tal que o espírito jamais pode atingir; mesmo os deuses não podem atingi-Lo, nem o espírito alcança-lo. Quando se move tudo se move. Nele tudo existe. Está em movimento e está, também, imóvel. Está perto e está longe. Está no interior de todas as coisas e está fora de todas as coisas interpenetrando-as. Aquele que enxerga em cada ser esse mesmo atma, jamais se afasta muito deste atma. Sómente quando toda a vida e o universo inteiro forem vistos nesse atma, o homem terá encontrado o segredo. Para ele não haverá mais desilusão. Onde, ainda, haverá infelicidade, para aquele que vê essa Unidade no universo? É da idéia de separação entre átomo e átomo que surgem todas as infelicidades. Mas o vedanta nos diz que esta separação não existe não é real. É apenas aparente, superficial. No coração das coisas há sempre Unidade. Se você penetrar sob a superfície, verá esta Unidade entre homens e homens, entre raças e raças, grandes e pequenos, ricos e pobres, deuses e homens, homens e animais. Se descer mais profundamente ainda, tudo será mostrado como sendo variações do Um, e aquele que chegar a esta concepção da Unidade não conhecerá mais a desilusão.” ( Vivekananda, em Kielce, 1986: 77)

 

     O Taoísmo, associado ao conceito de Tao, foi utilizado em diferentes momentos da história chinesa por correntes distintas de pensamento. Unschuld afirma: “A designação Taoísmo coloca junto diferentes grupos, as vezes mesmo contraditórios, correntes intelectuais que não tem muito mais em comum que o conceito de Tao, a insondável lei da natureza.

O Confucionismo também se refere ao Tao, mas O conceito significa alguma coisa como a correta maneira da coexistência humana na sociedade. Isto aponta uma das diferenças fundamentais entre as duas doutrinas. Os confucionistas acreditavam que eles podiam alcançar o entendimento do homem do estudo do próprio homem, a mais alta das criaturas, os taoistas sentiam que a observação da natureza levava a compreensão do homem, uma criatura que em uma ultima análise não era melhor que o pior dos vermes. Mas os Taoistas não estavam muito interessados na compreensão do próprio homem e sim com o conhecimento de como o homem pode melhor submeter-se as leis da natureza. Deste modo “nenhuma intervenção ativa” ( wu-wei) é um dos preceitos centrais e mais conhecidos do Taoismo.

Enquanto que os Confucionistas acreditaram implicitamente na força moral  (te), resultante da aderência a um detalhado sistema de rituais, para retificar a situacão política, os taoistas do quarto, terceiro e subseqüente séculos A C, explicitamente rejeitaram tal infração submissa, baseando a sua própria doutrina no potencial (te) que nasce da adaptação ao Caminho da Natureza ( Tao). O titulo e o conteúdo do clássico taoista Tao Te Ching, claramente expressa estas concepções. Adaptação,  conformidade, passividade, e fraqueza  mas não ação independente, controle, e intervenção- foram os valores derivados destes ideais. Estas seguintes passagens do Tao Te Ching, nas palavras de Lao Tzu servem para ilustrar estes pontos:

O homem é fraco e flexível quando ele nasce,

sólido e forte quando ele morre.

As plantas e arvores são macias e viçosas quando germinam,

ressecadas e duras quando morrem.

Por isto aquilo que é sólido e poderoso é parte da morte,

E aquilo que é macio e fraco é parte da vida.

Por tanto, se as armas são poderosas, a vitória é impossível,

uma árvore forte atrai a atenção dos lenhadores.

A força e o poder ficam abaixo; fraqueza e maciez colocam-se acima

Em todo o mundo nada é mais flexível que a água.

E não tem igual em resistência contra aquilo que é duro.

Não pode ser alterado por nada.

Aquilo que é fraco conquista aquilo que é forte; aquilo que é macio conquista aquilo que é duro.

O mundo inteiro sabe disto,

Mas ninguém pode agir desta maneira.

Ao guiar a humanidade, no serviço aos Céus,

não há nada melhor que a limitação.

Pois somente a limitação leva a submissão prematura.

Através da submissão prematura, grandes reservas de potencial

podem ser acumulados,

por adquirir grande reservas de potencial, o homem é equilibrado em cada situação.

Se um homem é equilibrado em cada situação, ele não conhece limites.

Se ninguém conhece nossos limites, nós podemos tomar conta do império.

Aquele que controla as forças produtivas do império pode perseverar.

Isto é uma raiz profunda e uma fundação sólida,

A lei natural da eterna existência e contemplação infinita”

(Unschuld, 1985:101)

     O pensamento taoista utilizou dentro do seu desenvolvimento a escola do Yin-Yang, que  foi uma “pedra angular” dentro da medicina de correspondência sistemática. No Tao Te Ching capitulo 42 o sábio Lao Tzu coloca:

               “ O Caminho produz um;

           um produz dois,

           dois produzem três,

           três produzem todos os seres:

           todos os seres carregam o Yin e abraçam o Yang,

           fundindo energias para a harmonia…” (Lao Tzu, em Clearly, 1991: 53)

     Esta busca de harmonia com as leis da natureza foi uma constante em todas as diferentes escolas de pensamento que surgiram a partir de Lao Tzu e que tiveram uma influencia importante no Huang Ti Nei Ching ( o livro classico de medicina interna do Imperador Amarelo). Kristofer Schipper afirma:

“ Em direção ao inicio do primeiro império (221AC), esta visão cosmológica  do Tao estava associada com o “Caminho do Imperdor Amarelo e dos Velhos Mestres” ( Huang-lao Chi Tao).Esta escola parece ter sido uma religião misteriosa com um vasto seguimento que inspirou muitos pensadores.

Durante a dinastia Han (206 A C a 221 D C ) as tumbas continham objetos relacionados com a busca da imortalidade; as mortalhas eram decoradas com imagens representando o vôo do corpo em direção as terras da bem-aventurança. Contratos inscritos nos vasos funerários garantiam uma casa no próximo mundo. Os textos destes contratos carregavam com eles uma simbologia, isto é, uma inscrição feita com sinais proféticos. Isto correspondia a um passaporte, o qual identificava o iniciado aos portões do paraíso. Estes símbolos eram chamados de fu, uma palavra que o significado etimológico é semelhante a palavra grega tessera. Em adição as tumbas continham objetos relacionados a pesquisa alquímica, também conhecida através dos textos. Ao transformar o cinabre (sulfeto de mercúrio) em mercúrio, a alquimia chinesa buscava reproduzir a alternação cíclica do Yin-Yang e integrar o adepto dentro deste modelo cosmológico. As riquezas da alquimia variaram dentro do desenvolvimento da historia do taoísmo, mas a teoria de transmutar o cinabre tornou-se uma parte fundamental do discurso taoista. A mesma situação prevaleceu na ciência médica. Nem todos os médicos eram Taoistas, mas a busca pela imortalidade certamente influenciou a pesquisa médica e contribuiu para sua sistematização teórica como encontrada no clássico “Questões Simples do Imperador Amarelo ( Huang Ti Nei Ching Su Wen), o manual mais antigo que chegou a nós.” (Schipper, 1993; 8)

     Esta busca pela longevidade e mesmo pela imortalidade foi comum as escolas taoistas durante estes 25 séculos de história dos “Mestres do Tao”. Anton Kielce afirma:

         “…O fim visado era adquirir poderes sobrenaturais a fim de prolongar, por mais

              tempo possível a vida na terrestre. Cada escola, e mesmo cada seita, desen-

              volveu, com este propósito, métodos próprios, fórmulas, exercícios, elixires

              e pílulas, cuja confecção era secreta e pessoal. Pode-se portanto agrupar estes

              métodos em quatro grandes categorias:

                                  

  1. absorção de pílulas preparadas pela alquimia;
  2. jejum e drogas;
  3. o comando da respiração;
  4. exercícios de controle da energia e união sexual.” (Kielce, 1986:47)

 

   Estas praticas taoistas foram importantes no desenvolvimento de técnicas antigas chamadas “Dao In” e que foram incorporadas pela Medicina Chinesa com o nome de “Qi Gong” ou em mandarim “trabalho com o Qi”. Chuang Tzu é considerado, após Lao Tzu, o mais importante “Mestre do Tao”. Segundo o Shi Chi, ou Registros do Historiador, do século II A C,  escrito por Ssu Ma Ch`ien:

“… seu nome pessoal era Chou, nascera em um lugar chamado Meng e servira como funcionário no jardim de Laca. Vivera no tempo do Rei Hui ( 370 a 319 A C ) de Liang e do Rei Hsuan ( 319 a 301 A C) de Ch`i, e que escrevera uma obra de mil palavras ou mais…” (Ssu-ma Ch’ien, em Watson, 1987: 11)

 

     Pelos escritos de Chuang Tzu, do século IV A C, podemos constatar que a teoria do Yin-Yang já era utilizada na Medicina Chinesa naquela época :

“ Mestre Ssu, Mestre Yu, Mestre Li e Mestre Lai estavam todos juntos conversando: “quem pode considerar a inação como a sua cabeça, a vida como suas costas e a morte como suas ondas? Diziam eles. Quem sabe que a vida e a morte a existência e a aniquilação, são todas um só corpo? Serei seu amigo!” Os quatro homens olharam uns para os outros e sorriram. Não havia discordância em seus corações e assim os quatro tornaram-se amigos. De repente, Mestre Yu caiu doente. Mestre Ssu foi perguntar como  Ele estava passando. “Espantoso!”disse mestre Yu. “O Criador está a me entortar todo! “minhas costas curvam-se para cima, como as de um corcunda, e meus órgãos vitais estão em cima de mim. Meu queixo esconde-se no umbigo, meus ombros erguem-se  acima da minha cabeça e minha trança aponta para o céu. Deve ser algum deslocamento do Yin e do Yang.”( Chung Tzu, em Watson, 1987: 83)

     Porem apesar de observarmos neste parágrafo, dos escritos de Chuang Tzu a utilização do conceito do Yin e do Yang aplicado a medicina de correspondência sistemática, em nenhum momento dos trabalhos de Lao Tzu e Chuang Tzu a acupuntura é citada. Não temos atualmente nenhuma literatura chinesa anterior ao século II A C que tenha referencias a acupuntura dentro dos conceitos da medicina de correspondência sistemática.  Em outras palavras quando e como surgiu a acupuntura na China antiga? Nós iremos analisar  detalhadamente, esta questão mais a frente nesta monografia.

     No livro mais antigo da medicina de correspondência sistemática, o Huang Ti Nei Ching Su Wen, ou o Classico de Medicina Interna do Imperador Amarelo, podemos,já no seu primeiro capitulo, constatar a importante influencia da filosofia taoista no desenvolvi- mento da Medicina Chinesa:

“ Em um passado distante viveu o Imperador Amarelo. Quando ele nasceu o seu espírito ( já estava caracterizado por uma) força mágica toda saturada. Quando, ainda, uma criança ele já podia falar. Em sua juventude ele demonstrou uma capacidade perceptiva aguçada. Quando ele amadureceu o seu caráter era marcado por uma profunda seriedade. Quando alcançou a idade adulta ele ascendeu aos céus. Ele colocou as seguintes questões para o Mestre Celestial e falou; “Eu ouvi que  os homens do nosso passado antigo experimentavam primavera e verão por cem anos com nenhum decréscimo em suas habilidades de mover-se e agir. Hoje em dia,entretanto, é de tal maneira que o homem deve limitar os seus movimentos e ações após apenas metade de um século. Os tempos têm mudado ou os homens têm perdido esta longevidade?”

Para isto Ch`I Po respondeu: Os homens da antiguidade entendiam o Tao  Eles por tanto se esforçavam para adaptar sua existência as regras do Yin-Yang  (dualidade) e viver em harmonia com os cálculos numéricos. Moderação determinava o consumo de alimentos e bebidas; eles acordavam e dormiam de acordo com uma ordem consistente. Ninguem consumia a sua força através de um comportamento inadequado. O homem da antiguidade preservava a sua mente e o seu corpo com todos os seus poderes e alcançava a completa extensão de sua vida de acordo com a natureza. A morte acontecia somente apos os cem anos. Os homens de hoje são totalmente diferentes. Eles preparam a sua sopa com vinho e a conduta inadequada tornou-se a regra.Eles intoxicam a si mesmo com o intercurso sexual e para satisfazer seus apetites carnais eles consomem a essência de sua existência. Através do uso descuidado eles esgotam as originais influencias inatas do homem. Eles são ignorantes de como carregar um vaso cheio sem derramar o conteúdo e não fornecem ao espírito o cuidado apropriado no tempo certo. Eles esforçam-se por levar prazer ao coração, porem eles conduzem a sua vida de forma contrária aos objetivos da verdadeira felicidade. Quando os homens de hoje acordam ou vão dormir não é de acordo com um plano consistente. Devido a isto eles devem restringir os seus movimentos e ações a somente metade de um século.” ( Wang Bing, em Uhschuld, 1985: 277)

 Neste primeiro capitulo do Huang Ti Nei Ching nós observamos a influencia taoista no texto, pois os taoista pregam a moderação e acreditam na depleção da essência do homem através do excesso de atividade sexual como está descrito nesta parte do texto. Mas não apenas o pensamento taoista influenciou este clássico mas também a escola de Confúcio. Na verdade este texto teve a influencia das diversas escolas da filosofia chinesa e é um compendio heterogêneo de diversos sistemas do pensamento Chinês.

Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, especialista em acupuntura pela Associação Médica Brasileira e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Pharmacy e Associação Brasileira de Ayurveda. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ e presidente da Associação Brasileira de Ayurveda.

 

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